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Psicologia e Comportamento.


Artigo escrito pela Psicóloga Clínica Carmen Alcântara, especialista em disturbios de sono em crianças.
 
1-     Por que algumas crianças sofrem deste mal? 

 

O sono é uma das funções fisiológicas mais frágeis e por isso uma das mais atingidas quando algo interno ou externo perturba a criança, seu cotidiano ou sua rotina.  Podemos falar desde problemas orgânicos como alergia ao leite de vaca, otites, refluxo gastresofágico, por exemplo; ambientais como falta de rotina e barulhos; até o nascimento de um irmãozinho, entrada na escola, separação dos pais, fase dos pesadelos.

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A insônia infantil pode ser primária ou secundária, a primária surge a partir dos dois meses de vida, pois antes disso é muito difícil caracterizá-la pela irregularidade do sono.

Chamada também de insônia do lactente, ela vai até quase os dois anos e caracteriza-se por despertares freqüentes durante a noite com choros.

 Normalmente nestes casos, quando excluímos causas orgânicas e ambientais, percebemos que algo do vínculo mãe-bebê está impedindo um sono tranqüilo e muitas vezes condicionando um sono de má qualidade.

 

A insônia secundária se manifesta de modo diferenciado da insônia primária, são crianças pequenas, a partir do segundo ano e que já haviam estabelecido uma organização adequada do sono, começam a apresentar despertares durante a noite, queixando-se de pesadelos ou apenas medos. Normalmente este tipo de insônia é passageira e tem a ver com a fase do desenvolvimento ou com situações de stress e(ou) mudanças na vida que a criança está enfrentando.

Em todos os casos, a família como um todo é afetada e caso a situação não seja bem conduzida e tratada, pode ser geradora de grande stress familiar, principalmente do casal.

 

2-     Como os pais podem notar que o filho tem insônia? Apenas a falta de sono caracteriza o problema, ou há outros sinais e sintomas?

 

Caracterizamos a insônia em inicial (dificuldade iniciar o sono) e a intermediária (acordar no meio da noite e ter dificuldade para voltar a dormir). Se a criança apresentar um ou outro tipo de insônia, ou os dois, por mais de três semanas, pode-se considerar como insônia e deve ser buscada ajuda especializada.

Além da falta de sono, a criança pode apresentar irritabilidade, agitação e menos frequentemente cansaço (pois normalmente na criança, o cansaço se expressa pela agitação e irritabilidade) como conseqüência da privação do sono.

 

3-     A partir de que idade pode ocorrer?

A partir dos dois meses de vida, quando a criança deve dormir em ciclos de três horas, acordando para se alimentar e

dormindo um total, em média de 16 a 18 horas por dia.

Algumas crianças mesmo nesta idade, já apresentam uma irregularidade nestes ciclos, com menos horas de sono e mais

episódios de choro.

 

4-     Como os pais devem agir?

Em primeiro lugar, levando ao pediatra e descartando possíveis causas físicas, depois repensando o ambiente, se este é adequado à criança, se existem muitos estímulos antes da hora de dormir, por exemplo, estabelecendo rotinas e um ritual próprio e adequado para hora de dormir, fazendo com que esta se torne agradável e tranqüilizadora.

Se ainda assim o sintoma persistir, a ajuda de um psicólogo pode identificar possíveis causas conflitivas ou tencionais na família ou mesmo fantasias infantis próprias da fase de desenvolvimento que possam estar afetando o sono da criança.

Em alguns casos, o pediatra pode também fazer uso de medicação apropriada, em geral fitoterápicos ou homeopatia para ajudar em um quadro mais agudo, no qual a família está muito cansada.  

 

5-     E quando o problema é medo do escuro ou de ficar sozinho, como os pais devem proceder?

 

Conversar com o filho, de preferência durante o dia, tranqüilizando-o.

Se for o caso experimentar o uso de uma luz de parede de baixa intensidade, de preferência azul (que tem efeito relaxante) ou colocar dois irmãos no mesmo quarto para se fazerem companhia.

É recomendado também para crianças pequenas de um a cinco anos, um bicho de pelúcia como companheiro durante a noite, chamado pelo psicanalista inglês, Winnicott, como objeto transicional, ou objeto de apoio.  

 

6-     Muitas crianças dão trabalho na hora de ir para a cama. É birra, manha? Ou existe um motivo real? Qual a melhor saída para os pais?

 

De um modo geral, as crianças tendem a lutar contra o sono e a se separar dos pais.

É o momento então, para os pais exercerem os limites de forma firme e carinhosa, ajudando os filhos a terminarem o dia, com uma rotina pré estabelecida de horários: banho, jantar, contar histórias etc.por exemplo, sem margem para discussões e negociações.

 

7-     Quais os danos para a saúde, quando o pequeno dorme pouco/mal?

 

A privação do sono na criança pode causar desde problemas comportamentais como irritabilidade e agitação, até mesmo déficit no crescimento (quando a privação é muito intensa), já que é durante a noite que o hormônio do crescimento é secretado.

 

 

 


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