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Psicologia e Comportamento.


Artigo escrito por: Psicóloga Carmen Alcântara*

 

Uma noite de sono tranquila e reparadora é essencial para uma vida saudável. O sono de boa qualidade favorece o desenvolvimento positivo do humor, do equilíbrio emocional, dos reflexos e da habilidade cognitiva durante o estado de vigília.

 

A carência de sono por sua vez pode levar no adulto a um estado de fadiga crônica, obesidade, hipertensão, diabetes, ansiedade e depressão que afetam também as relações familiares e sociais.

 

Na criança, as dificuldades de sono podem afetar seu desenvolvimento físico e emocional, assim como o desempenho escolar, contudo como elas têm mais condições de compensar as noites mal dormidas com cochilos durante o dia ou com o sono da tarde, estes efeitos são muitas vezes minimizados, mas nem sempre e por isso a importância do diagnóstico precoce e intervenção quando necessária.

 

Quem mais sofre, na realidade com as noites mal dormidas dos filhos pequenos, são os pais e tais dificuldades podem provocar inclusive problemas sérios de relacionamento entre o casal e na dinâmica familiar.

 

Entre os transtornos do sono mais frequentes na infância, temos a insônia, já abordada anteriormente e os distúrbios respiratórios associados ao sono, entre eles a Apnéia Obstrutiva do Sono, que também ocorre nos adultos.

Este distúrbio caracteriza-se pela repetição de episódios durante o sono de obstrução total (apnéia) ou parcial (hipopnéia) das vias aéreos superiores associadas a roncos fortes e sonolência excessiva diurna.

Os episódios de apnéia e hipopnéia provocam micro despertares que afetam a arquitetura do sono e afetam a vida dos pacientes que acordam com uma sensação de cansaço e sono não reparador com sonolência excessiva diurna (nos adultos) e também irritabilidade e agitação (nas crianças).

 

É muito frequente nas crianças com apnéia obstrutiva do sono haver uma associação com a hipertrofia de amídalas e (ou) adenóides, rinites alérgicas ou pólipos nasofaringeos. A obesidade ou sobrepeso também podem favorecer os sintomas.

Em casos severos é possível identificar características na face da criança como: olheiras, alongamento da face e retração do queixo.

 

A sonolência excessiva durante o dia pode prejudicar o aprendizado escolar pelo déficit de atenção e concentração, irritabilidade e agitação.

Enurese noturna é relatada frequentemente em crianças e adolescentes com apnéia do sono. O reaparecimento da enurese após já haver ocorrido o controle esfincteriano pode ser um sintoma sinalizador da presença de apnéias.

Outra queixa comum é a dificuldade para despertar estas crianças à noite. Muitas vezes não respondem nem com estímulos dolorosos e quando conseguem finalmente ser acordadas exibem desorientação têmporo-espacial, incoordenação e dificuldade na percepção visual que dura vários minutos.

 

É importante o diagnóstico precoce para evitar maiores danos ao desenvolvimento físico, cognitivo e emocional da criança e do adolescente.

O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, quando houver necessidade de desobstrução cirúrgica ou correções de más formações.

 

É importante diferenciar a sonolência excessiva durante o dia causada pela apnéia obstrutiva de outro distúrbio do sono que também é responsável por causar muita sonolência diurna, chamado Narcolepsia. Apesar de menos freqüente do que a apnéia, mas não tão rara, é uma doença do sono que acomete todas as idades, contudo, seu início é mais freqüente na infância e adolescência.

 

É caracterizada por cochilos incontroláveis durante o dia e em alguns pacientes outros sintomas podem estar associados como a cataplexia (queda do tônus muscular parcial ou total) diante de situações com colorido emocional, paralisia do sono e sonhos vívidos entre o sono-vigília, que parecem alucinações. Na verdade é uma doença em que há uma desorganização do padrão do sono REM. Tem origem neurológica, componentes genéticos e é possível amenizar os sintomas com medicamentos que diminuem a sonolência, mas ainda não existe cura.

 

Na criança, o diagnóstico é difícil porque normalmente a criança reluta contra o sono e torna-se agitada e irritadiça, mas é possível observar cochilos em situações anormais e baixo rendimento escolar. O diagnóstico precoce é importantíssimo para minimizar o impacto social e emocional que esta doença provoca ao longo dos anos. 

 

Outro distúrbio do sono menos freqüente em crianças, mas que está sendo mais estudado na população infantil é a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI).

Este transtorno é caracterizado pela necessidade de mover as pernas. Frequentemente é acompanhado de incômodas ou dolorosas parestesias (sensações estranhas, como formigamento ou queimação) no interior das pernas. Estas sensações pioram no repouso e no decorrer do dia e melhoram assim que há movimento das pernas. Elas surgem mais na transição vigília-sono, quando o paciente se encontra desperto, e dificulta a conciliação do sono no princípio da noite ou depois do despertar noturno levando as noites mal dormidas e sonolência durante o dia. Esta alteração afeta mais os membros inferiores, mas pode também afetar os superiores.

 

Cinqüenta por cento dos pacientes apresentam histórico familiar de pernas inquietas, sendo mais cedo o início dos sintomas nas formas hereditárias. Muitos pacientes adultos diagnosticados por volta dos 27 anos, referem lembrar dos sintomas desde a infância.

Crianças inquietas, que não param na hora das aulas ou quando vão para a cama e se queixam de desconforto nas pernas de forma freqüente, podem estar sendo diagnosticadas erroneamente como crianças com Hiperatividade e Déficit de Atenção (TDAH) ou com dor de crescimento e na verdade sofrerem com a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI).

O tratamento deve corrigir a causa, esta, algumas vezes pode ser conseqüência de uma anemia, ou quando não identificada sua causa, o médico deve prescrever a medicação indicada ao caso.

 

     

*Psicóloga Clínica e Psicanalista, Mestre pela Faculdade de Medicina USP, Membro do Grupo de Pesquisa Avançada em Medicina do Sono-HCFMUSP.

 

 

 


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