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Psicologia e Comportamento.


Artigo escrito por Carmen Alcântara

Recentemente, tive conhecimento que na escola das minhas filhas,  uma menina de 9 anos recebeu um convite pelo facebook de um homem desconhecido para se tornar seu amigo. Como a mãe monitorava a conta da filha, ignorou o convite e o sujeito continuou insistindo, a mãe então o bloqueou. Depois ficou sabendo que o mesmo sujeito estava pedindo para ser amigo de outras meninas da classe de sua filha.

 

A partir deste incidente, achei por bem fazer algumas considerações sobre este tema.

Sem dúvida nenhuma a internet nos auxilia muito assim como os nossos filhos, estes podem pesquisar assuntos diversos; criar redes de relacionamentos e conversar com amigos; jogar diversos jogos que desenvolvem o raciocínio e a percepção.

Acredito inclusive que o cérebro de nossas crianças e adolescentes de hoje serão muito mais velozes e possivelmente com diferenças anatômicas e funcionais em relação aos nossos, pelo fenômeno da neuroplasticidade.

 

Contudo, não podemos deixar de apontar os perigos da rede e um deles é sobre o caso citado acima e o excesso de exposição das crianças e adolescentes (para não falar dos adultos) nas redes sociais.

O filme “Confiar” com o ator Clive Owen, retrata uma história de pedofilia com uma menina de 12 anos. É surpreendente como o agressor consegue pouco a pouco seduzir a menina (de classe media alta e com família amorosa e estruturada) até seu objetivo final. O filme também faz referência a inúmeras histórias como esta, registradas pela FBI e a procura destes pedófilos que se aproveitam das informações das redes sociais e bate papos dos celulares.

 

Outro aspecto importante é o risco de dependência de internet, principalmente nos meninos que de um modo geral acabam exagerando nos games, passando horas e horas em jogos on-line e (ou) outras modalidades. Perdem muitas vezes momentos importantes da vida social e passam a ter pior desempenho acadêmico. A vida familiar também é afetada pelas inúmeras discussões, castigos e até agressões.

Detalhe: Observo que quando os adultos realmente delimitam o uso do computador e tomam novamente as rédeas da situação, estes garotos voltam ao convívio social, familiar e melhoram o humor e o desempenho escolar.

 

Sendo assim, é importante que os adultos desde cedo participem com os filhos do uso do computador em jogos, brincadeiras e pesquisas escolares e até aprendam novas tecnologias com eles ao mesmo tempo em que orientem, controlem, determinem o tempo de uso dos aparelhos, dialoguem sobre os perigos e acompanhem os hábitos e mudanças de comportamento de seus filhos. É bom lembrar que, dependendo das mudanças de comportamento e da duração destas mudanças, faz-se necessário pedir ajuda de um profissional.

 

É importante também que os próprios pais sejam exemplos de um uso racional dos eletrônicos para que os filhos criem hábitos saudáveis e não se esqueçam das outras atividades, ao ar livre, refeições e passeios com a família e amigos.

É bom relacionar para os filhos que a internet se assemelha à rua, ao fora de casa e, portanto que se fica sujeito aos riscos e perigos reais, caso não se tome alguns cuidados.

Perguntar com quem estão falando, monitorar as contas do FB, bloquear sites, olhar as telas e se minimizadas rapidamente, interferir e maximizar sem pudores de estar invadindo é melhor do que estranhos e informações inapropriadas invadirem a mente dos filhos.

Quando este controle e limites são colocados de uma forma firme e consistente, aliada a uma participação ativa e interessada no dia a dia das crianças, eles poderão até reclamar pela intromissão e controle, mas terão certeza que estão sendo cuidados, amados e não negligenciados.

 

Obs. Enquanto redigia este artigo, foi divulgado pelas televisões de todo o mundo, a morte de uma garota canadense de 15 anos que sofreu bulying pela internet e que provavelmente cometeu suicídio... como se vê, o assunto é muito sério.

 

* Psicóloga Clínica e Psicanalista


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