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Psicologia e Comportamento.


Estresse na infância

Carmen Alcântara

Psicóloga Clínica e psicanalista

Segundo pesquisa realizada recentemente pelo portal médico WebMD, nos Estados Unidos, com 432 pais de crianças com idades entre 5 e 13 anos, um em cada cinco adultos classificou seu próprio nível de estresse com um 10 (entre 1 e 10); mais da metade deu uma nota maior que 7. Quando perguntados no entanto, que nota dariam ao estresse dos seus filhos, 60% dos pais atribuíram notas abaixo de 4.  

O estudo também indicou que 72% das crianças demonstrava sinais que podem ser associados ao estresse, como dores de cabeça constantes, dores de barriga em situações específicas, muito choro e reclamações excessivas.

Embora os pais tenham relacionado o estresse dos filhos à escola (53%) e aos amigos (51%), a pesquisa aponta que os maiores motivos para a tensão das crianças estão dentro do próprio ambiente doméstico. A maior parte das famílias tinha enfrentado problemas sérios no último ano: 27% teve problemas financeiros ou desemprego, 19% enfrentou doenças graves de um membro da família ou de uma amigo próximo, 21% sofreu a morte de alguém da família ou próximo, 9% lidou com divórcio e separações e 31% passou por algum tipo de situação emocionalmente complicada.

Analisando estes dados, podemos inferir em primeiro lugar, que a infância está mais estressante hoje do que era há algumas décadas, a sociedade tem colocado muitas expectativas de sucesso econômico, profissional e pessoal nas crianças, de forma cada vez mais precoce. As agendas de cursos extracurriculares de uma criança de cinco anos, hoje, compete com as de grandes executivos. Sobra pouco tempo para brincar livremente, descansar, conectar-se a natureza. Há ainda os estímulos eletrônicos e da mídia, que expõem as crianças muito cedo à violência, à competitividade, ao consumo e à erotização da infância.

Em segundo lugar, observamos que os pais hoje têm cada vez menos tempo para estar com seus filhos e quando estão com eles, muitas vezes acham mais fácil dar um joguinho eletrônico para as crianças e dessa forma ter tempo para também se conectar ou assistir TV. Obviamente existem exceções, contudo, os pais muitas vezes, só vão perceber que seus filhos não estão bem quando a escola aponta alguma dificuldade de aprendizagem ou de comportamento

Uma das principais maneiras de evitar que as crianças se sintam tão estressadas, ainda que a família enfrente alguma situação difícil, é identificar primeiro o estresse dos adultos e tentar lidar com ele. É bom lembrar das instruções nos aviões sobre as máscaras de oxigênio, primeiro o adulto precisa estar bem para depois poder cuidar das crianças. Dessa forma, é possível evitar passar tanta tensão para a família.

 

 

O estresse infantil pode passar desapercebido dos pais, porque muitos acreditam que a infância é uma fase da vida com poucas responsabilidades, muitas brincadeiras e fantasias. Por consequência, podem pensar que o estresse só afeta os adultos. Outros, esperam que a criança verbalize que a constante dor de barriga, dor de cabeça ou os resmungos e choros frequentes, estão relacionados ao estresse, mas isso não acontece, dificilmente uma criança irá associar o que sente com tensão e ou estresse.

Sabemos que esse estado de estafa emocional e mental se mostra tanto no comportamento, quanto no físico. As crianças podem passar a reclamar ou a chorar mais, ou então, elas podem parecer sempre preocupadas e ansiosas. Algumas passam a se queixar de dor de cabeça, dor de barriga, a ter pesadelos ou problemas para dormir e apresentar mudanças nos hábitos alimentares, o que pode acontecer com um aumento ou com uma diminuição repentina do apetite. É importante, nesses casos, a família buscar ajuda de um profissional especializado, como pediatra, psicólogo ou psiquiatra infantil.

 Além disso, a conexão real entre os pais e as crianças é essencial, participar das brincadeiras e das fantasias, entrar de verdade na diversão com os filhos, funciona tanto para eles, como para os próprios pais. Este envolvimento pode ajudar os adultos a aliviarem o próprio estresse e a aumentar a tranquilidade dos filhos. Criar oportunidades de maior convívio familiar em situações descontraídas, como fazer piquenique em um parque, empinar pipas, pescar. O importante é deixar a zona de conforto formada pelo sofá, pelos jogos eletrônicos e pela televisão.

Outra forma de prevenção é ajudar as crianças desde cedo a identificarem seu próprio estado de humor, como raiva, alegria, medo. Ao verbalizar o que as crianças sentem, os pais colaboram para que, mais tarde, eles possam se conhecer melhor e saibam como lidar com essas emoções.

Se a criança já apresenta um quadro de estresse, além de procurar um profissional, é bom tentar identificar as possíveis causas do estresse e modificar o comportamento e o estado de espírito com as crianças e algumas rotinas.

Um dos principais fatores é a qualidade do tempo de convivência em família. O contato consigo e com o outro precisa ser enriquecedor e não alienante. Isso fortalece a resiliência e nos faz sentir menos afetados pelo estresse. Ficar diante de uma TV ou nos joguinhos eletrônicos pode dar a sensação de alívio imediato, como uma bebida alcoólica. O alívio, porém, é só naquele momento. Desta forma, não fortalecemos o nosso eu interior, nem os relacionamentos com as pessoas mais importantes das nossas vidas.

Pensar e realizar atividades prazerosas e desconectadas, como cozinhar, passear, conversar, ouvir música, dançar... Assim, é possível mandar o estresse embora e ajudar seu filho a descobrir ainda mais prazer na vida em família.

Publicado: Revista Crescer

 

 

 

 

 


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