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Psicologia e Comportamento.


*Artigo publicado na Revista Crescer


De acordo com um estudo de mercado realizado pela The Family Room LLC, 54% dos pais da geração Y, também chamada de Millenials, que hoje têm entre 25 e 35 anos, descrevem seus filhos como seus “melhores amigos”.

Entre os pais da geração anterior, chamada de geração X, que está na faixa etária dos 36 aos 50 anos, esse número cai para 38%.

Entre as questões levantadas pela análise estava a natureza da interação entre mães e pais da geração Y com os filhos e como ela se diferencia da geração anterior.

A pesquisa foi realizada com famílias americanas de diferentes etnias, por meio da junção de dados quantitativos e qualitativa captados pela FocusVision (focusvision.com), especializada em pesquisas estratégicas para marcas, e pela Lightspeed GMI, que conta com um grande banco de dados online.

A geração Y ou Millenials

O desejo de construir relações mais horizontais é apontado como uma das características dessa jovem geração, que troca de empregos com mais frequência, estabelece relacionamentos por meio da internet (com um teor bem mais informal, diga-se de passagem) e têm dificuldades em se sujeitar a tarefas consideradas subalternas.

Estes jovens foram criados por pais que pertenceram a gerações revolucionárias (do movimento hippie, punk, do rock n’ roll, entre outros), que lutaram contra ditaduras e modelos econômicos austeros. “Eles criaram seus filhos (a geração Y) com menos regras, mais diálogo e superproteção, o que gerou adultos e novos modelos de famílias, a meu ver, mais imaturos emocionalmente, sem referências de hierarquia e limites claros”, comenta a psicóloga clínica Carmen Alcântara.

É claro que essa mudança também tem consequências positivas. Para a especialista em psicopedagogia, educação especial e neuroaprendizagem Irene Maluf, membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp ), a geração Y teve a oportunidade de ser criada com maior proximidade de seus pais e hoje tenta fazer o mesmo com seus filhos: “Existe uma naturalidade na relação, que deixou a antiga hierarquia na qual filhos e pais praticamente não dialogavam, o que foi bom”, comenta.

Agora que esses jovens se tornam pais, alimentam o desejo de construir uma amizade com os filhos, têm consciência da necessidade de convívio com as crianças, querem partilhar de sua educação e de lhes dar a melhor formação possível. Contudo, muitas vezes, eles acabam errando na dose: “Os filhos ganham o lugar de importância central na casa, são excessivamente protegidos e acabam por satisfazer quase todas as vontades, criando pessoas narcisistas, sem limites e prepotentes”, explica Irene.

Para Carmen, o que influencia esse comportamento, além da própria maneira como os pais da geração Y foram criados, é a crescente valorização do individualismo na sociedade contemporânea: em muitas ocasiões, em vez de se desgastarem para educar as crianças, muitos pais preferem terceirizar essa tarefa para as escolas, deixando os professores como autoridades. “Assim, torna-se mais fácil ser “brother” do próprio filho, evitando brigas e papel de ‘adulto’ da vez”, explica.

Dá para ser amigo dos filhos?

Sim. E é importante cultivar o carinho e a cumplicidade para com as crianças. Mas, para que elas se sintam seguras, precisam saber quem é que está no comando.

Assim, os pais precisam ocupar a sua posição. “Hierarquia é fundamental para haver ordem, principalmente durante os primeiros 12 anos: daí pra frente a criança já está bastante amadurecida para o autocontrole”, explica Irene.

Em outras palavras, é essencial que os pais possam acolher as crianças com amor e compreensão, mas que ainda sejam aqueles capazes de ensinar o que é certo e o que é errado, demostrando ao mesmo tempo empatia e firmeza.

“É possível ser ‘pai amigo’ ou “mãe amiga” desde que os filhos entendam que o “amigo” aqui é diferente do coleguinha da escola”, ressalta Carmen. Não dá para perder a identidade de pai ou mãe, por mais carinho e simpatia que se tenha pelo filho.

Isso quer dizer que não é porque você e seu filho se divertem juntos que seu filho está isento de cumprir regras, de lhe obedecer ou de dar satisfação. A criança precisa disso para criar seus valores. E é melhor que ela aprenda desde cedo do que sofra quando se tornar adulta.

“Há crianças que chegam ao consultório absolutamente inseguras, infelizes, desorientadas e muitas com depressão. Gritam com a mãe, dão ordens ao pai, chantageiam caso sua vontade não seja feita”, contam Irene e Carmen.

Crescendo sem limites e sem respeitar normas, as crianças têm a sensação de que seus impulsos de amor e raiva são incontroláveis, gerando muita insegurança e desorganização interna. Além disso, quando se tornarem adultas irão ter muito mais dificuldades em respeitar as regras sociais, de receber ordens de um chefe e até mesmo de conviver com amigos – afinal, não é todo mundo que vai deixar seu filho fazer o que quiser…

Carmen Alcântara

Psicóloga Clínica- Psicanalista



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