Av. Brigadeiro Faria Lima, 1826
2º - Andar - Jardim Paulistano
Tel.: 55 11 3812 - 8477
E-mail: clinicalen@clinicalen.com.br

Psicologia e Comportamento.


Artigo escrito pela Psicóloga Clínica Carmen Alcântara*.

É cada vez mais freqüente o nascimento de gêmeos devido aos avanços nos tratamentos de fertilização e com isso casais que haviam planejado ter apenas um filho ou dois são surpreendidos (por mais que saibam das possibilidades) com dois, três ou mais bebês.

Desta forma, há uma indagação maior nos últimos anos em como criar e educar múltiplos. É bom relembrar que existem três tipos de gêmeos: os idênticos conhecidos como univitelinos ou monozigóticos, que correspondem a 29% dos casos, os gêmeos fraternos ou bivitelinos ou dizigóticos que representam a maioria e os xifópagos ou siameses que são univitelinos que não conseguiram se separar completamente e são casos raros.

No primeiro exemplo, os bebês são iguais fisicamente porque apenas um óvulo foi fecundado. Já com os fraternos, o processo é diferente: os bebês não têm necessariamente as mesmas características físicas e o sexo também pode ser diferente porque dois óvulos (ou mais), com características distintas, foram fecundados.

O importante é saber que gêmeos mesmo os idênticos não são “réplicas” e, portanto por mais que eles tenham maior propensão a ter afinidades, possuem personalidades, temperamentos e anseios diferentes. Até mesmo nos casos de doenças genéticas, sabemos que um dos irmãos (no caso dos idênticos) pode apresentar uma forma mais grave e o outro uma forma mais branda ou a doença pode aparecer primeiro em um deles e muitos anos depois no outro e em alguns casos nunca chegar a se manifestar.

Do ponto de vista psicológico, é necessário estimular o desenvolvimento de suas personalidades e desta forma permitir a cada filho, gêmeo ou não, a formação de sua identidade, de saber-se único, com pensamentos e idéias próprias, capazes de amar e serem amados de forma única. Caso isto não aconteça, estas crianças provavelmente crescerão dependentes umas das outras, com menos chances de desenvolverem plenamente suas potencialidades e autonomia.

Temos vários exemplos na literatura, cinema e na vida real de histórias de gêmeos que sempre fizeram tudo juntos, em um tipo de relacionamento chamado pela psicanálise de simbiótico, no qual um não vive sem o outro. É importante estar atento a estas histórias, pois se olharmos melhor a forma como estas crianças foram criadas, iremos perceber que a família, os amigos e até mesmo a coletividade, sempre incentivaram a indiscriminação de suas identidades. O caso mais recente é dos irmãos gêmeos norte americanos, Julian e Adrian Riester que morreram no mesmo dia, depois de viverem sempre juntos e vestidos iguais como frades franciscanos.

Do ponto de vista prático, para que as individualidades possam ter mais garantias de serem preservadas, é preciso fazer adaptações para receber os gêmeos. Estas vão desde uma organização maior do orçamento doméstico, do espaço da casa, da divisão de tarefas cotidianas, à amamentação, tendo em vista que o contato e a forma de lidar com essas crianças precisam ser individuais. As situações devem ser resolvidas caso a caso, evitando, por exemplo, amamentar os dois ao mesmo tempo; castigar os dois (ou mais) filhos em virtude das travessuras de um deles; vestir as crianças, principalmente os idênticos, com roupas iguais; chamá-los de “gêmeos” e não pelos nomes, etc.

As crianças devem ter vida própria, experiências pessoais,cada qual com seu grupo de amigos, na escola, freqüentarem classes diferentes. Na hora de comprar brinquedos, estes também não devem ser sempre iguais, a escolha deve estar de acordo também com a personalidade de cada um, assim como os bolos de aniversário, por exemplo.

Outro momento delicado são as brigas, os pais só devem interferir se perceberem que as crianças podem se machucar, pois elas precisam aprender a resolver suas diferenças sozinhas. Estes conflitos servem, inclusive, para que percebam que são seres humanos distintos. É importante também evitar as comparações entre eles (muito freqüente, principalmente entre os idênticos) e neste sentido não cobrar o mesmo desempenho escolar, o mesmo desenvolvimento físico e emocional, evitando assim a rivalidade que pode se acirrar.

Preservar a identidade de cada um não quer dizer formar filhos inimigos ou distantes, inclusive porque os gêmeos já têm uma integração e sintonia natural, que pode ser reforçada ou atenuada. O que precisa ser igual são o carinho e a atenção da família para cada um.

*Psicóloga Clínica, Mestre pela Faculdade de Medicina – USP

Contato: carmen.alcantara@uol.com.br


Assine nossa newsletter e receba primeiro, nossas novidades, dicas e notícias.

© 2016 Clinica Len - Todos os direitos reservados. | Desenvolvido por E-assis